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Papa Pio XII desempenhou papel-chave na derrubada do socialista Benito Mussolini

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Publicado em 04 Apr 2025 / Em Outro

A conspiração que derrubou e prendeu Benito Mussolini em 1943 foi tramada pelo Vaticano muitos anos antes. O marechal Pietro Badoglio que era chefe do estado maior do Reino da Itália havia se oposto energicamente ao ataque contra a Grécia em Novembro de 1940. Ele era adversário determinado dos ditadores Benito Mussolini e Adolf Hitler. Por meio do contato na Sagrada Congregação para a Propagação da Fé, Ludwig Müller (que era o meio pelo qual resistência alemã se comunicava com o Vaticano) soube que Mussolini difundia uma petição entre os oficiais italianos requerendo corte marcial para Badoglio. A manobra de Mussolini incitou Badoglio a entrar em contato com a resistência alemã. Como Müller relatou: "Eu achava, devo me expressar cuidadosamente, que podíamos tratar com Badoglio". Badoglio se declarou pronto para derrubar Mussolini, desde que o Papa e o Rei o apoiassem. Müller intermediou acordo de ligação entre a resistência alemã com a resistência italiana de que se um lado levasse a cabo o golpe, o outro deveria fazer o mesmo na sequência. Por quase dois anos, Badoglio adiou o golpe. Ele esperava que a resistência alemã agisse primeiro.
Por fim, em Novembro de 1942, com a invasão da África do Norte efetuada pelos Estados Unidos forçou-o a tomar uma iniciativa. Naquele momento com os Aliados a menos de 150 quilômetros da costa da Sicília, a posição de Mussolini se tornou insegura. Em 24 de Novembro, Badoglio enviou a Princesa Maria José de Saboia para discutir a mudança de regime com Monsenhor Giovanni Battista Montini, o auxiliar do Papa Pio XII. "Vou relatar" respondeu o Prelado e informou o Papa da entrevista com a Princesa Maria José, pedindo-lhe que pudesse continuar os contatos. As palavras de Pio XII não são conhecidas, mas sabe-se com certeza que ele deu um parecer positivo porque Monsenhor Montini e a Princesa voltaram a se ver e o prelado informou de dentro do Vaticano que o enviado especial do presidente Franklin Delano Roosevelt ao Papa, Myron Taylor havia garantido que os Estados Unidos receberiam com prazer a saída da Itália da guerra. No entanto, o Rei da Itália Vítor Emanuel III, distintamente anticlerical, informou-se da trama vetando as relações com a Santa Sé exclamando: "Nenhum padre" e exilou a Princesa na ermida de Sant'Anna. Quase ao mesmo tempo, Wilhelm Canaris se encontrou com Müller no hotel Regina em Munique e depois de um jantar surreal deles com Ernst Kaltenbrunner, Canaris sugeriu a Müller que tentasse um encontro com Badoglio olho a olho. Um mês depois, em 21 de Dezembro, Badoglio enviou secretamente seu sobrinho para um encontro com o Cardeal Secretário de Estado da Santa Sé Luigi Maglione procurando a bênção do Papa para apromixação referente à conspiração com o Rei da Itália para derrubar Mussolini. Por meio dessas intrigas, os diplomatas aliados começaram a negociar um acordo de paz com Badoglio. Como Müller recordou: "No final de 1942, recebi a notícia, não de Leiber, mas de uma pessoa da esfera do Vaticano, de que um renomado personagem italiano tinha apresentado uma proposta de paz, uma sugestão ou uma consulta com respeito aos termos de uma paz que seria feita em separado com a Itália. A resposta para a consulta, creio que vinda de Washington e não de Londres, era: 1. Concessão italiana das colônias italianas da África do Norte. 2. Pantelleria (uma ilha italiana perto da Tunísia) para a Inglaterra. 3. Uma oferta relativamente à evacuação italiana da Albânia. 4. [Era excitante para nós, num certo sentido. O teor era aproxidamente este]: O Tirol italiano deveria se tornar parte de um novo estado alemão no Sul. Isso tinha preocupado não só a nós (no círculo de Canaris), mas, como tinha informado Leiber, também a ele. Ele deu uma pancada em sua cabeça com a mão, pois a participação da Alemanha pelos Aliados contestava bastante nossas discussões anteriores com a Inglaterra. Pedi a Leiber que tentasse descobrir com seus contatos como a ideia foi vista nos Estados Unidos, se eles basicamente discordaram disso ou se pensam igual aos ingleses".
Um mês depois, Pio XII tinha os elementos da conspiração de Badoglio em suas mãos. Enquanto Roosevelt aconselhava publicamente a Itália a deixar o Eixo, Taylor, seu representante pessoal junto ao Papa, realizava uma ação secreta paralela com Pio XII. "O senhor vai lembrar-se de seu contato constante com Sua Santidade a partir da Rádio Vaticano de Washington", trouxe Taylor à memória de Roosevelt posteriormente. "O primeiro preparativo para a extinção de Mussolini foi no dia em que eu trouxe ao senhor uma mensagem secreta, em resposta a uma de minha autoria com respeito a queda de Mussolini e à saída da Itália da guerra, que o senhor caracterizou como a primeira ruptura em toda a organização do Eixo e que chegou a mim por meio daquele canal papal". Os preparativos do Vaticano para a extinção de Mussolini começaram em 12 de Maio.
Maglione convocou o embaixador italiano junto à Santa Sé, o conde Galeazzo Ciano e lhe repassou uma comunicação oral. O Papa sofria pela Itália e com a Itália, afirmou Maglione, e faria todo o possível para ajudar o país. Portanto, o Papa teve a intenção de deixar Mussolini conhecer seu pensamento, embora evitando uma intervenção direta. No entanto, como Padre Peter Grumpel, especialista do Vaticano a respeito de Pio XII, afirmou posteriormente, dando uma risada: "Claro que isso é uma maneira discreta de dizer: Posso ser de alguma ajuda como mediador?". Lendo nas entrelinhas, Ciano afirmou abruptamente: "Bem, o Duce não buscará isso". Mussolini prometeu lutar, mas Pio XII tinha aberto um canal para novas conversas. Em 20 de Maio, Pio XII escreveu a Roosevelt, pedindo-lhe que não bombardeasse as cidades italianas. Embora não dissesse isso diretamente, o Papa considerava terrorismo o bombardeio dos Aliados e do Eixo, pois matavam mulheres e crianças em Londres e em Berlim por motivos políticos e não militares. No entanto, a carta do Papa revelou seu jogo mais profundo, ele pediu a Roosevelt que tivesse piedade da Itália nas futuras convesações da paz, indicando que o Vaticano esperava uma vitória dos Aliados. Prudentemente, Pio XII se posicionou entre duas partes antagônicas às quais fez a mesma pergunta: "Como posso ajudar?". Embora Pio XII trabalhasse com Roosevelt para afastar Mussolini, o Vaticano afirmava que o Papa não tinha sido um conspirador ativo. "Devemos ser muito cuidadosos quando falamos a respeito de envolvimento ou influência direta", afirmou o Padre Grumpel posteriormente. "Pois não é o papel do Vaticano intrometer-se nos negócios dos estados estrangeiros. Seu estilo é muito discreto. É mais diplomático e age de maneira mais prudente para evitar se expor a acusações graves". No Tratado de Latrão se proibia o Vaticano de intervir na política externa, como Hitler reagira se Itália saísse da guerra por meio de uma intriga papal?
“O Santo Padre é da opinião de que algo deve ser feito”, registrou Monsenhor Domenico Tardini, seu auxiliar, após receber uma mensagem cifrada americana a respeito da mudança de regime. “Ele não pode se negar a intervir, mas deve fazê-lo com o máximo de sigilo.” Em 11 de junho, Pio XII recebeu uma informação política importante: por meio de um informante, soube que Vítor Emanuel III havia recebido secretamente dois ex-políticos italianos não fascistas.
O fato de até o Rei, um notório preguiçoso, perceber que precisava agir sugeria que o status quo logo começaria a ruir. Seis dias depois, o núncio apostólico para a Itália visitou o Rei e lhe advertiu que os americanos seriam implacáveis, a menos que Roma saísse da guerra. Pio XII tinha informações do mais alto nível — diretamente de Roosevelt — sobre o que estava por vir. Ainda assim, o Rei permanecia inseguro quanto ao que fazer.
Um mês depois, em 10 de Julho, os Aliados invadiram a Sicília. Três divisões alemãs fugiram para a Península Itálica, indicando a possibilidade imediata de que as tropas aliadas as seguissem. Essa perspectiva exasperou não só o povo italiano, mas também Pio XII. Nem ele, nem seus assistentes Maglione, Montini e Tardini tinham querido que a Itália entrasse na guerra e agora eles trabalhavam duro para tirar a Itália dela. Pio XII conseguiu ser informado das medidas legais do Grande Conselho do Fascismo contra Mussolini.
Em 18 de Julho, o Cardeal Celso Constantini escreveu em seu diário: "A Itália está à beira do abismo". No dia seguinte, quando Roma foi bombardeada, a sorte já estava lançada. A Itália tinha perdido a guerra e seus líderes cruzaram a ponte secreta que Pio XII construiu para a paz. Seis dias depois, o Rei tinha prendido Mussolini e nomeara Badoglio para governar em seu lugar. Pio XII não fez nenhuma declaração pública, mas um diplomata americano achou que ele não parecia nada infeliz. Ele passou o mês seguinte como o anfitrião secreto das conversas entre Badoglio e os Aliados que levou a um armísticio em 8 de Setembro. Hitler jurou invadir o Vaticano duas horas depois que soube da queda de Mussolini. Albrecht von Kessel disse que Hitler culpava Pio XII pela queda de Mussolini, porque o Papa conversava com Roosevelt pelo telefone havia muito tempo.
REFERÊNCIAS:
Mark Riebling, O Papa contra Hitler, pp. 184-186. S. Bertoldi. “Umberto e Maria Josè di Savoia”, Milano 1999 pp. 123-129

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